quinta-feira, 23 de julho de 2009

NFCM na América do Sul - Buenos Aires

Há quanto tempo eu não dava as caras por aqui, hein? Boa noite, putada! Foi mal aê pela demora, as férias acabaram e a minha paciência para escrever também. Mas vejam a sorte de vocês: estou aqui desperdiçando parte da minha noite de futebol na TV prá escrever algo procês!

Então (by K.C., como diria Scully), onde parei mesmo? Ah,sim, eu e a namorada fomos dormir porque teríamos que viajar no dia seguinte para Buenos Aires.

Nossa farra no Chile havia chegado ao fim e era preciso voar novamente (PQP!) até Buenos Aires, onde daríamos seguimento ao nosso passeio internacional. Nosso vôo para a Argentina estava programado para as 10h e pouquinho da manhã, o que nos obrigava a sair cedo do hotel. Desde o primeiro dia no Chile eu havia visto uma lojinha da Starbucks na rua do hotel. Cheio de vontade de experimentar essa parada, revelei para a namorada que o café-da-manhã no nosso último dia de Chile seria lá. Mas não rolou...

Não rolou simplesmente pq chegamos 05 (cinco) minutos antes das 7h e a loja ainda estava fechada, apesar do papo animadíssimo que rolava lá dentro entre os funcionários. Perguntamos se demoraria a abrir e resolvemos esperar. Deu 7h e nada. Deu 7h02 e nada. Eu fiquei puto e fui embora com a namorada para tomar o café-da-manhã no hotel. Meu pai sempre foi dono de bar e nunca deixou de vender um copo de café só pq ainda não era hora de abrir. Mas é aí que está a diferença: meu pai era dono da parada. Quando você deixa a gestão do seu negócio – em qualquer nível que seja, estratégico ou operacional – na mão de empregados, você SEMPRE perde $$. Ou você acha que o empregado tá interessado em faturar R$ 1,50 a mais sabendo que o salário dele não vai mudar por causa disso? Não se iluda, o único que “veste a camisa da empresa” é o dono.

Mas enfim, tomamos o café-da-manhã de sempre no hotel e, pontualmente, às 7h20, lá estava o pessoal da agência que nos levaria ao aeroporto de Santiago, que é infinitas vezes mais bonito do que o Galeão. Aliás, a comparação, na verdade, nem é cabível. Você só pode dizer que uma coisa é mais bonita que a outra quando as duas paradas são bonitas. Não é o caso. O Galeão é uma das coisas mais feias que o ser humano já foi capaz de fazer. Você entra no Rio de Janeiro pela porta dos fundos, depois de ter subido pelo elevador de serviço...

Nosso vôo acabou atrasando 40 (quarenta) minutos, o que nos deixou com tempo suficiente para passear pelo local. Grandes merdas! Com aquele free shop caro prá caralho, não tinha nem graça ficar olhando as coisas por lá e as lojinhas não eram lá grande coisa, exceto a loja temática do Chile, que era muito maneira! E, pasmem, nem era tão cara assim, apesar de se localizar na área de embarque de um aeroporto internacional. Fosse eu um milionário, a namorada teria ficado desesperada com a quantidade de coisas compradas, mas como não sou, não comprei porra nenhuma.

Apesar de ter plena consciência de que, em alguns instantes, estaria sobrevoando o mundo em uma altura sinistra prá caralho, eu estava relativamente tranqüilo. Mas toda essa tranqüilidade foi para o cacete quando eu vi o avião das Aerolineas Argentinas. Avião porra nenhuma, aquilo era um pau-de-arara aéreo! Era sério que uma porrinha um pouco maior que o meu carro iria nos levar até Buenos Aires? Pois é, mais 1h45 de perrengue pela frente...

E como tremia aquela porra! Imaginem vocês: Aerolineas Argentinas + pau-de-arara aéreo + Cordilheira dos Andes + receio (não medo) de avião... Só uma coisa era maior que a minha tensão: a escrotice das aeromoças da companhia! Sério, as mulheres se acham! Super antipáticas e grosseiras, elas agiam como se tudo ali fosse um enorme favor delas prá gente. Nada contra, mas é preciso lembrar que aeromoças nada mais são do que garçonetes aéreas. Não é prá tirar essa onda toda não, meninas... só não dei os 10% pq não tem 10% prá garçonete aérea (rá!), mas se tivesse...

Chegamos ao aeroporto de Buenos Aires às 13h (14h em Buenos Aires, mesmo horário de Brasília) e, de cara, mais uma escrotice portenha: preencher formulários sobre a gripe suína. Ok, ok, ok, as circunstâncias exigiam, é verdade, mas sabem pq era escroto? Se todo mundo que vai entrar no país terá que preencher essa merda, pq não distribuíram a porra do papel para todas as companhias aéreas? Assim a gente já chegava lá embaixo com a papelada preenchida e assinada. Ou será que eles achavam que o vôo seria tããããããão divertido que a gente não ia nem lembrar daquele negócio? Outra coisa: eles podiam ao menos ter deixado a gente entrar no aeroporto, né? Sério, cara, fomos obrigados a preencher o formulário na pista dos aviões! Com carrinho de malas e ônibus com passageiros passando de um lado para o outro! Se tinha mesa? Claro que não... caneta prá todo mundo? Ha-ha-ha...

Mais uma passagem pelo Free Shop para comprar os nossos perfumes (porra, finalmente algo prá gente e não para os nossos amigos e familiares aproveitadores, ops, queridos) e pronto! Fomos para o hotel Las Naciones, que fica numa parte interessante do Centro de Buenos Aires, a rua dos teatros! Ótimo ponto para quem vai ficar uns dias por lá! E o quarto era enorme! E a cama era muito foda! Ideal para a prática da fo... do amor. Mas antes de conhecer o quarto, conhecemos Nadia... não, não é nada disso que você está pensando, seu depravado!

Nadia era a moça da agência responsável pelo nosso City Tour. Mas Nadia foi responsável também por desfazer a imagem que eu tinha de que os argentinos eram uns babacas, até então plenamente justificada. A moça era super gente boa e deu várias dicas legais, inclusive sobre as melhores lojas ponta de estoque, os melhores lugares para diversão e, também, aqueles lugares que a gente deveria evitar por não serem assim tão... amistosos...

Com essas questões resolvidas, eu e a namorada partimos diretamente para o restaurante mais próximo, já que a fome era sinistra! Só havia um problema: qual era o restaurante mais próximo? Caminhando pelos arredores do hotel, descobrimos o simpático Parrilla Lavalle, onde comemos um belo bife com batatas fritas cada um, totalizando $ 50 (cinqüenta pesos).

Rápida explicação: fazer conversões monetárias na Argentina foi bem mais simples do que no Chile. Com o peso cotado a R$ 0,70 (setenta centavos), era como se cada compra recebesse um belo desconto de 30% (trinta por cento), o que acabou se refletindo no número e no tamanho das bolsas.

E lá fomos nós para a Avenida Córdoba com a expectativa de gastarmos todas as nossas economias pré-férias nos outlets da Nike, Fila, Levi’s, Lee etc... Decepcionante! Os preços não eram lá essas coisas e a gente acabou não comprando nada por lá. Só fomos fazer compras mesmo no outlet da Puma, que não fica na Avenida Córdoba, mas na Av. Niceto Vega, que é paralela à Córdoba. Eu e a namorada achamos que dava para ir andando, afinal a loja ficava na altura do número 6.000 e a gente não parecia tão longe dali (4.000 e pouco). Ledo engano...

Andamos prá caralho, já que, para aproveitar o trocadilho infame (adoro!), a loja da Puma ficava lá na puma-que-pariu! Rápida lição para vocês: os quarteirões das ruas de Buenos Aires são numerados de 100 em 100. Assim, num exemplo simples, um quarteirão que se inicia com o número 02 termina com o número 100. A gente estava na altura do 4.000 e pouco e a loja ficava por volta do número 6.000. Fazendo as contas... andamos prá caralho, como eu disse.

Depois de tanto caminhar, mesmo que não tivesse gostado de nada a gente teria que comprar alguma coisa. Eu, particularmente, tinha um propósito bem claro: comprar uma camisa da Ferrari. Imaginem a decepção quando constatei que a única coisa da Ferrari que tinha prá vender por lá era aquela sapatilha ridícula que os pilotos usam... mas a ida não foi em vão: a namorada gostou de uma bolsa e eu gostei de outra. Comprei as duas por um preço bastante interessante. Uma rápida passagem por uma das milhares de lojas Havana que encontramos por lá para a compra de alfajores para os nossos amigos e familiares aproveitadores, ops, queridos e voltamos para o hotel: de taxi!

Andar de taxi em Buenos Aires é uma ótima opção de transporte. É super barato, cara! Você roda, roda, roda, roda e quando vai ver, a conta deu uma merrequinha. Os carros não são lá grande coisa, mas who cares? Com tanta coisa prá fazer e tantos quilômetros para andar, o importante é ter um meio rápido e barato de se locomover. Não andamos de metrô por lá, por isso não sei dizer se vale a pena.

A noite de nosso primeiro dia (horrível essa...) em Buenos Aires foi dedicada a visitar o lendário Gran Café Tortoni. Se não fosse a Bombonera, esse teria sido tranquilamente o meu programa preferido em terras portenhas! O lugar é a cara de Buenos Aires! Totalmente boêmio, basta eu dizer prá vocês que ninguém mais, ninguém menos que Carlos Gardel era habitué do local! Tanto que existe uma estátua do sujeito no lugar, em companhia dos não menos importantes Jorge Luis Borges e Alfonsina Storni. Acho muito bacana esse negócio de preservar a memória de seus ídolos e os argentinos são imbatíveis nisso!

Lá no Café Tortoni, eu e a namorada fomos atendidos por um garçom que simplesmente não nos deu muita bola. Sério! Como bom argentino, o camarada não fez muita questão de ser simpático com a gente, mas tá beleza, pois ele era eficientíssimo! As coisas simplesmente apareciam na nossa mesa. Pedimos dois mistos e tah-dá, eles surgiam do nada! Pedimos sobremesa e tah-dá, lá estava ela. Passei a viagem inteira pensando numa forma de descrever o gesto feito pelo garçom na hora da entrega dos pratos e somente hoje me ocorreu uma imagem que talvez, de leve, seja capaz de demonstrar o que estou tentando dizer: Gambit, dos X-men, lançando suas cartas pelo ar!

Não lembro quanto deu a conta (coisas que acontecem quando a gente não se dá ao trabalho de anotar certas informações), mas adianto que é um pouco puxado. Nada que vá arrastá-lo para a rua da amargura, mas é aquele caro em termos relativos, sacou? Não, né? É o seguinte, R$ 5.00 é caro? Não, né? Bem, depende do que você estiver comprando. Entendeu agora? Cara, então o problema é contigo...

Algo que me deixou relativamente puto foi a lojinha do Café Tortoni. Se vocês leram o post sobre a parte de Santiago, já devem ter percebido que sou um cara consumista e que adora comprar todo tipo de objeto, ainda mais quando se tem a justificativa de que “pô, eu tô viajando, quando é que eu vou voltar aqui?”. Pois é! Agora imaginem uma miniatura da fachada do Café Tortoni. Eu quis comprar? Claro! Eu comprei? Não! O motivo? É que embora o lugar funcione até altas horas e tenha uma porrada de funcionários circulando o tempo inteiro por todos os lados, a lojinha, justamente a lojinha, aquela parada feita para seduzir turistas otários e loucos para gastar pesos como eu, fecha às 20h. Como já passava das 22h...

Voltamos para o hotel e, antes de dormir, vimos um pouco de televisão. Assistir televisão na Argentina foi uma revelação. Durante nosso passeio do primeiro dia, assim como em todos os passeios que fizemos, constatei que Buenos Aires tem muitas livrarias, muitas mesmo! Bem mais do que no Centro do Rio de Janeiro. Livrarias são, definitivamente, umas das coisas que mais se encontram por lá, junto com lojas de material esportivo, da Havanna e do Freddo. E os argentinos sempre tiveram aquela fama de cultos, né? É porque a televisão deles é uma meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerda. Dos trocentos canais de TV disponíveis no hotel, só conseguimos prestar atenção a dois: a MTV (infinitas vezes melhor que a brasileira) e um canal parecido com o Discovery Channel, mas que só passava programas baseados em investigações criminais. De resto, só lixo. Ah, tinha um canal passando uma novela da Globo – senhora do destino, salvo engano – dublada! Muito tosco!

Caímos no sono.

Caí da cama! Não é nada disso que você está pensando. Eu não acordei cedo, caí da cama. Literalmente! É o seguinte: minha namorada, além de muito bonita e muito carinhosa, apesar de magrinha, é também muito espaçosa. Ao longo da noite, ela vai chegando mais e mais para o meu lado, o que acaba me deixando confinado na pontinha do colchão, praticamente uma faixa de gaza do sono. Resultado: quando o despertador tocou e eu virei para desligar...

Mas tudo bem, a gente tinha mesmo que acordar cedo para o City Tour. Antes de sair, uma rápida passagem pelo salão do hotel onde era servido o desjejum. Tudo muito gostoso, com direito a ovos mexidos também. Padrão. Nada que mereça maior atenção.

Nosso guia se chamava Pablo e era um sujeito muito espirituoso. Demos aquele rolézinho básico pela Casa Rosada, tiramos algumas fotos, mas eu, sinceramente, não estava ali. Minha cabeça estava em outro lugar: La Bombonera! As meninas talvez não tenham muita noção disso, mas todo sujeito que gosta de futebol sonha com isso, pisar naquele estádio. É engraçado esse fascínio que a Bombonera exerce sobre nós, pois o estádio em si é até mal ajambrado, feio mesmo. Mas é um local imponente, como só os grandes templos do futebol são.

Minha intenção era fazer a visita guiada ao Museo de La Pasion Boquense, mas naquele momento só deu mesmo para fazer a visita expressa. Até cogitamos voltar no dia seguinte, já que não haveria jogo do Boca Juniors, mas tanto a Nadia como o Pablo disseram que a área não era lá muito segura (basta pensar que o Boca Juniors é o Flamengo da Argentina...), então desistimos. Aliás, deixa eu abrir o parêntese, já que toquei no assunto: se você estiver de passagem por Buenos Aires e quiser fazer a visita ao museu, dê uma conferida para ver se haverá jogo do Boca no estádio. É que quando tem jogo não rola visita, sacou? Para não correr o risco de dar com a cara na porta...

Se eu tivesse feito a visita, teria tido a oportunidade de ver o nome do tio de uma amiga entre os jogadores que fazem a história do Boca Juniors. Pois é! Descobri isso essa semana, conversando com ela sobre a viagem (viu como foi legal atrasar tanto esse post?). A Louise, minha amiga de trabalho, é sobrinha de Orlando Peçanha, que jogou no meu Vasco da Gama, no Santos e no Boca Juniors na década de 1960, além de ter sido campeão mundial em 1958 pela Seleção Brasileira! Muito maneiro, né?

Não lembro quanto pagamos para visitar o lugar (é vero, eu não anotei o preço de quase nada na Argentina), mas asseguro a vocês que vale cada centavo. Disparado o lugar que eu mais gostei!

Ainda passamos pela lojinha do Clube (não é preciso fazer a visita nem pagar ingresso para ter acesso à loja), mas os preços lá são bem salgados. Se você não fizer questão de ter um produto oficial, vale mais a pena comprar numa da caralhada de lojas dedicadas ao time nos arredores do estádio. Garimpando, dá para encontrar coisas por um preço bem legal. Outra opção é esperar mais um pouquinho e comprar no Caminito, próximo ponto turístico a ser visitado.

É o seguinte. O Caminito é uma favelinha que todo mundo acha linda porque é coloridinha. Como disse o Pablo durante o trajeto para lá, a arquitetura do lugar adotou a linha gótica latina: gótica porque é cheio de goteira, latina porque as casas são de lata. Vale a pena visitar? Sim, vale. Primeiro porque é um ponto turístico e não tem como você voltar de Buenos Aires e dizer que não foi lá, o pessoal vai te olhar meio de lado; segundo porque rende umas fotos muito maneiras. Mas é só. O guia deu uma hora inteira prá gente ficar por lá. Fala sério! Seria bem melhor se ele tivesse me dado uma hora para ficar na Bombonera! E olha que o Pablo é boquense... mas enfim, ficamos rodando as lojinhas atrás de lembranças, mas é tudo muito tosco. Acabei comprando uma camisa do Maradona, mas dei de presente para o Duda, meu cunhado. Tá vendo? Eu sou um cunhado maneiro!

De lá seguimos para os bairros de Puerto Madero, Palermo e Recoleta, que são os bairros chiques de Buenos Aires. A Recoleta é o ponto final do City Tour e lá o guia nos deu duas opções: voltar para o hotel ou ficar por lá passeando. Resolvemos abandonar o grupo e passear por lá. Como já passava de 13h, decidimos almoçar num restaurante muito simpático chamado La Biela, todo decorado com quadros alusivos ao automobilismo! Bem bacana! Uma coisa que achei curiosa é o fato de o lugar cobrar preços diferenciados para quem almoça no salão e quem almoça na varanda (mais caro). Como não estávamos muito a fim de gastar dinheiro desnecessariamente, decidimos almoçar no salão, mas confesso que fiquei com uma ponta de inveja do pessoal que almoçou na varanda, já que, ao contrário do Chile, o clima estava propício para isso.

A sobremesa foi um sorvete de doce de leite no Freddo. Viciei instantaneamente.

Uma rápida passagem pelo cemitério da Recoleta para ver o túmulo de Eva Perón (a mulher é uma estrela até hoje, parece o Jim Morrison!) e zarpamos para a loja da Ferrari, onde comprei minha camisa polo por míseros US$ 35,00! Agora dá para torcer uniformizado, rapá! Logo agora, que a Ferrari tá uma merda... mas enfim, faz parte!

Logo ali perto, vale visitar a Floralis Genérica, uma rosa gigante de metal que fica com as pétalas fechadas durante a noite e vai abrindo ao longo do dia. Bem bacana, mas não prende sua atenção por muito tempo. Minha sugestão é que você tire uma foto e vá logo fazer algo mais interessante. Foi o fizemos: de volta ao hotel, partimos para conhecer alguns pontos turísticos como o obelisco, o Teatro Colón (fechado para obras, infelizmente) e a livraria El Ateneo, que funciona em um lugar que antigamente abrigava um teatro. É enorme! Três andares de livros, CDs e DVDs. Sim, eu poderia morar lá dentro...

Tá achando chato? Tá achando o post longo prá caralho? Pois ainda falta um pouquinho. Seja forte, porra, você já leu até aqui!

O jantar foi em Puerto Madero, o bairro mais chique e seguro de Buenos Aires, conforme nos explicou o Pablo pela manhã. O metro quadrado é caríssimo. Como o próprio nome diz, fica na antiga zona portuária de Buenos Aires e foi completamente repaginado para dar aquela levantada na região. Hoje, além de um cassino, existem vários restaurantes por lá. Escolhemos o Cabaña las Lilas, que é bem chique e bem caro. Gastamos $ 191.00 com o jantar, algo em torno de R$ 140,00 (cento e quarenta reais). Semana passada descobri que o restaurante pertence a uma rede brasileira. Talvez isso explique a cobrança pelo couvert que, até então, havia sido cortesia em todos os lugares por onde passamos...

E o pior é que o jantar não pesou só no bolso. Pesou também no estômago! Completamente inutilizados, voltamos para o hotel e fomos dormir, pois no dia seguinte iríamos fazer o passeio do Rio Tigre con Tren de La Costa.

Vou contar um segredinho prá vocês: É-CHATO-PARA-CARALEO!

A parada é a seguinte: o negócio começa com um passeio de barco pelo delta do Rio Paraná. No início você até incorpora o espírito de turista e vai animado, mas a verdade é que essa empolgação forçada dura uns cinco minutos... logo depois você descobre que o passeio é um saco. Tem até umas casas bonitinhas ao longo do rio, mas a grande maioria é de casas feias e mal cuidadas. De pitoresco mesmo, só os barcos taxi e mercado, que atendem aos moradores das margens do rio.

Encerrada essa etapa da viagem, a gente pega um trem com destino à estação de San Isidro, onde não há porra nenhuma para se fazer! A única atração do local é o Freddo, o que acabou justificando mais um dos inúmeros sorvetes de doce de leite consumidos em terras portenhas. Ah, minto! Tem também uma feira de artesanato super sem graça e cara. Sinceramente? Não entendi a passagem por lá... e o passeio custou $ 95.00 para cada um! Na boa, se tiver a oportunidade de fazer essa parada, NÃO FAÇA!

Era hora de partir para a feira de antiguidades de San Telmo, que é mais um daqueles programas de índio que você só faz porque é turista. Logo que cheguei, percebi um leve equívoco na denominação do evento. Não se trata propriamente de uma feira de antiguidades. É uma feira de coisa velha, o que é muito diferente! Tanto é que eu, o estereótipo perfeito da sociedade consumista, não quis comprar porra nenhuma lá! Consegue imaginar?

Bem, depois disso não é difícil dizer que a parte mais legal do dia foi almoçar no lendário Palacio de La Papa Frita! Recomendo tranquilamente, apesar de uma coisa muito, muito escrota que acontece lá: eles não cobram pelo couvert, ok. Mas cobram pelos talheres! E olha que legal: ao pagar pelos talheres, você ganha de presente o couvert! Rá! Sensacional, né? Mas tudo bem, tudo bem: o bife de chorizo com batatas suflé (um balão de batata frita)...

Encerrado o almoço, numa volta pelas inúmeras lojas de couro da Calle Florida, eu e a namorada acabamos comprando uma jaqueta de couro para mim e um par de botas para ela. Fomos também nas Galerias Pacífico, que são uma espécie de Fashion Mall de Buenos Aires, com várias lojas chiques e caras. Uma pausa para mais um Freddo e voltamos para o hotel, pois era necessário arrumar as malas.

No dia seguinte, voltamos para casa felizes e apaixonados e eu, obviamente, passei perrengue durante todo o trajeto aéreo percorrido.

domingo, 17 de maio de 2009

NFCM na América do Sul - Santiago

Depois da odisséia que foi o início de nossa viagem, eu e a namorada acordamos preguiçosos após uma noite relativamente curta de descanso. A primeira etapa do dia foi conhecer o salão do hotel onde era servido o café-da-manhã que, por sinal, era muito bom, com direito a uns pãezinhos que eu nunca tinha visto antes e a ovos mexidos, que eu adoro (com duplo sentido). O mais interessante é que nunca como ovos mexidos em casa, só mesmo em hotéis. Talvez por isso eu ache a parada tão especial. Outra coisa interessante: os chilenos adoçam o suco de laranja. Sei que muita gente faz isso, mas eu nunca tinha visto um hotel fazer isso. É como se eles dissessem prá você: “se quiser tomar suco de laranja aqui, tem que ser do nosso jeito, rapá”. Então tá, suco adoçado prá mim também, por favor...

Devidamente alimentados, partimos para a estação do metrô com o objetivo de chegar ao centro de Santiago. Chegando à estação, de cara fomos objeto do ódio da moça da cabine de compra dos bilhetes. Explico: o peso chileno, moeda oficial do Chile (oooooooooooooooh...), não vale praticamente nada. Para vocês terem uma noção, R$ 1,00 equivale a $ 220. Por causa disso, quando você chega a uma casa de câmbio aqui no Brasil, não é possível encontrar notas baixas. O que aconteceu então? Eu e a namorada tivemos que dar uma nota de $ 20.000 para comprar dois bilhetes de metrô, cuja soma totalizava $ 800. Entenderam a razão do ódio da moça? Mas a culpa não era nossa! A culpa era da...

AEROLINEAS ARGENTINAS! Claro! Raciocinem comigo: se a Aerolineas Argentinas tivesse cumprido o horário dos vôos, nós teríamos chegado a Santiago a tempo de ir ao Restaurante Giratório. Lá, pagaríamos a conta com os tais $ 20.000 e pronto: haveria dinheiro trocado para o dia seguinte! Mas, não! Como vocês já sabem, não foi isso o que aconteceu...

O metrô de Santiago é bastante eficiente e a rede é bem ampla. Praticamente todos os pontos da cidade foram abrangidos, de modo que é perfeitamente possível fazer dos trenzinhos subterrâneos o seu meio de transporte por lá. Outra diferença em relação ao nosso metrô (a primeira é a eficiência) é que os vagões são mais estreitos, o que não chegou a ser um incômodo, pois não pegamos o metrô lotado em momento algum.

Munidos de um mapa da cidade, descemos na estação La Moneda e demos início à nossa jornada. Naquele exato momento descobri que sou um sujeito completamente analfabeto em matéria de mapas e que, se ficasse por minha conta, o primeiro ponto turístico que encontraríamos seria o Teatro Municipal, na Cinelândia...

Mas a nossa sorte é que eu sou um sujeito consciente da minha própria ignorância. E a minha sorte, por outro lado, é que a namorada é bem safa. Pedimos informações a uns guardinhas com roupas esquisitas e, uma vez localizados, pudemos encontrar o ponto de partida do nosso passeio: o Palácio La Moneda. Caminhando até lá, passamos por outros prédios públicos e descobrimos que o centro de Santiago é bem parecido com o centro do Rio de Janeiro, com a diferença de que lá é limpo e aqui não. É sério! Enquanto, por aqui, a gente caminha tendo que saltar uma poça de esgoto aqui e um rato morto ali, em Santiago não se vê um papel no chão. Outra coisa que não se vê também é gente bonita. Ô povo feio, meu Deus... É impressionante que ainda existam chilenos por aí. Sério! Se dependesse de mim, a perpetuação da raça não seria levada adiante. Ok, talvez eu esteja exagerando, mas não é um povo muito bonito mesmo, não...

Nossa intenção era ver a troca da guarda do Palácio, que obedece a um ritual interessante (pelo menos durante os 5 minutos iniciais próprios daquelas coisas que depois de um tempinho ficam um saco e fazem você começar a querer que acabe logo), mas descobrimos que, no mês de maio, as trocas ocorreriam nos dias pares. Como era dia 05...

Descobrimos, também, que os chilenos não respeitam sinais de trânsito. Quase fomos atropelados quando cometemos o desatino de atravessar a rua quando o sinal estava... VERMELHO PARA OS CARROS!!!! Os caras só param o tempo suficiente para você atravessar e pronto, já voltam a andar, mesmo que a luz continue vermelha. Depois de tantas situações assim, comecei a suspeitar de que havia uma permissão na legislação de trânsito para proceder dessa forma. Só isso explicaria tanta falta de educação no trânsito!

Do Palácio La Moneda partimos para uma caminhada pela Passeo Ahumada, que é uma rua de comércio no centro da cidade. Lá estão localizados os famosos café-con-piernas, cafeterias em que as atendentes – sim, sempre mulheres – encontram-se num nível superior em relação ao chão, de um jeito que as suas bundas ficam mais ou menos na cara dos clientes. Você, macho como eu, deve ter figurado a seguinte cena na cabeça: você está lá, no balcão, com uma xícara de café na sua frente, e do outro lado estão passando atendentes como a Juliana Paes, a Cleo Pires, a Alinne Moraes, a Grazi Massafera, as Scheilas Mello e Carvalho, não é, seu punheteiro pervertido? Mas não é nada disso. SÓ TEM BARANGA! Lembra o que eu disse acima sobre os chilenos serem feios? Então... a passagem por lá só vale a título de curiosidade mesmo.

Andamos mais um pouco e eu decidi entrar em uma galeria. Não lembro exatamente o motivo. Eu queria fazer alguma coisa, mas acabei me deparando com uma série de lojas de rock, cara! Tudo muito legal! Camisas muito maneiras de várias bandas. Meu impulso consumista resistiu bravamente (em boa parte por causa da namorada que, com sua vocação para ministra da economia, me aconselhava a não comprar uma série de coisas que, no fim, não fizeram mesmo falta alguma). Aliás, a cena roqueira no Chile, assim como na Argentina, é bem forte. Os caras gostam mesmo! Aonde você for, tem rock tocando. Nem sempre é coisa boa, mas quase sempre é rock. Enquanto, aqui no Brasil, nós (nós uma vírgula, vocês!) estão sempre atrás da última modinha, lá os caras sabem o que é bom e não abrem mão disso! Ponto para os nossos vizinhos!

A fome começou a bater e resolvi comer uma das porcarias típicas do Chile: a empanada. Empanada nada mais é do que o nosso famoso pastel, só que a massa é um pouco mais consistente. Mas é essencialmente a mesma coisa. Naquele momento, cansado de ficar fazendo conversões a todo o momento, resolvi adotar um novo padrão monetário para a minha passagem pelo Chile: minha moeda oficial passou a ser a latinha de coca-cola. A partir daquele instante, todos os meus gastos seriam contabilizados em “X” latinhas de coca-cola. Muito mais prático! Exemplo: “Esse negócio que você quer comprar custa $ 7.500”. Ao invés de pensar “quanto dá isso em real?”, eu simplesmente dizia: “Ok, são 10 latinhas de coca-cola”. Minha vida mudou naquele momento.

Devidamente alimentado – a namorada não quis –, partimos para o Museo Precolombino. O passeio é interessante e barato ($ 3.000, o que na Celsolândia equivale a 04 latinhas de coca-cola), mas confesso – sem qualquer sentimento de culpa – que não nos chamou muito a atenção. Tanto é que eu e a namorada passamos pelas alas do museu como se estivéssemos em um shopping procurando algum artigo em promoção. Resumindo: é legal, pero no mucho. De lá, fomos diretamente para a Plaza das Armas e para a Catedral de Santiago, que são bonitas, mas em nada diferentes das praças e catedrais que a gente encontra por aqui.

Já era praticamente meio-dia e, de acordo com o nosso roteiro, estava na hora de ir para o Mercado Central, onde almoçaríamos. O Mercado Central é uma espécie de mercado do peixe, como aqueles que a gente encontra na Barra da Tijuca e em Niterói. Não tem nada de muito interessante, mas faz parte de qualquer roteiro turístico em Santiago, além de contar com vários restaurantes, todos eles a preços bem interessantes para quem não pretende gastar muito. A única coisa chata é ter que ficar dizendo “no, gracias” para a cacetada de garçons que ficam enchendo o saco tentando de convencer a almoçar no restaurante deles. Fiquei imaginando quantas vezes deve ter saído porrada entre eles por causa disso. Infelizmente, naquele dia isso não ocorreu. Optamos por um restaurante chamado Donde Augusto, que além de servir uma comida muito gostosa, cobra bem barato. O meu prato e o da namorada (os dois enormes – poderíamos tranquilamente ter dividido), com a gorjeta e as bebidas, saiu por $ 15.000 (20 latinhas de coca-cola). Outra coisa bem legal: os restaurantes chilenos, todos eles, oferecem o couvert como cortesia. Ao contrário do que ocorre aqui, a cortesia não é paga! É cortesia mesmo!

Não pedimos sobremesa, pois não havia espaço para mais nada em nossos estomagozinhos dilatados. Pegamos nossas coisinhas e partimos, de metrô, para a Calle Patronato, que é uma mini-madureira: várias lojinhas ótimas para se comprar presentes (alguns bem baratos, outros nem tanto). Foi quando tivemos a visão. Um oásis no meio do deserto. Estávamos diante de algo mais ou menos como... imaginem que Jack, Kate, Sawyer e a turma toda de Lost tivesse encontrado a saída da ilha, ou que a molecada da Caverna do Dragão tivesse conseguido encontrar o portal que os traria de volta ao nosso mundo sem que a filha da puta da Uni começasse a berrar e convencesse todo mundo a ficar...

Foi o que sentimos quando encontramos o OUTLET DA ELLUS!

Sim, cara! No meio do comércio popular de Santiago, encontramos uma loja da Ellus vendendo roupas a preços irrisórios! Obviamente, entramos! E acabamos comprando cada um uma calça jeans. Só não compramos mais porque não havia tanta coisa que nos agradasse. Mas vale muito a pena. A minha calça saiu por irrisórios $ 20.000, algo em torno de 27 latinhas de coca-cola, menos de R$ 100,00!!!! E pensar que, aqui, essas calças chegam a R$ 400,00... brasileiro é mané mesmo, constatei...

Depois de algumas horas andando pela Calle Patronato, fomos para o último ponto de nosso roteiro naquela parte: a Casa Museo La Chascona, que foi a residência de Pablo Neruda. Nossa falta de conhecimento sobre a cidade, aliada à minha completa inabilidade para a leitura de mapas fez com que eu e a namorada vagássemos tal qual almas penadas pelas ruas de Santiago até que, depois de muito caminhar, chegamos ao local pretendido. Com aquela musiquinha do Cidade Negra na cabeça (você não sabe o quanto eu caminhei...), vislumbramos a casa do homem. Vou te dizer uma coisa: valeu cada passo! Se algum dia vocês forem a Santiago e alguém disser que vocês só podem ir a um único lugar, escolham a casa de Pablo Neruda!

A casa é sensacional! Sabe aqueles lugares em que você chega e simplesmente não quer mais ir embora? Então! A casa do Neruda é assim. Optamos por fazer a visita guiada ($ 2.500, ou 3 latinhas e meia de coca-cola, cada um) e descobrimos várias coisas como, p. ex.: (i) a casa foi concebida como se fosse um navio, de modo que vários dos cômodos faziam referência a partes de uma embarcação; (ii) a casa, na verdade, foi construída pelo Neruda para a sua amante, só vindo a tornar-se sua residência após o divórcio de sua segunda mulher; (iii) durante o regime militar, parte da casa – a biblioteca – foi destruída pela ignorância típica dos regimes autoritários e todos os seus livros foram queimados no meio da rua. O resto eu deixo para vocês ficarem sabendo quando forem prá lá. Vale muito a pena! Encantei-me tanto com o lugar que acabei comprando uma lembrança de lá. Um prato quadrado com um poema do Neruda impresso. Lindão.

Cansados, voltamos para o hotel. Naquela noite, sairíamos para jantar em um restaurante das redondezas, mas acabamos pegando no sono e só acordamos no dia seguinte.

Era hora de partir para Valparaiso e Viña Del Mar!

Tomamos o mesmo café-da-manhã do dia anterior e partimos em direção ao litoral chileno, acompanhados do guia Sergio Martinez, de uma agência de turismo chamada Ekatour, cujos serviços recomendo tranquilamente a todos. Sergio é um sujeito muito espirituoso e brincalhão, além de falar um português muito bom, o que fez com que eu ficasse muito à vontade, já que poderia falar português com ele numa boa. Antes de partirmos, ainda passamos em outro hotel para pegar um grupo de turistas que acabou não participando do passeio. Beleza, só que os cornos não se deram ao trabalho de avisar a agência e a gente só percebeu que eles não iriam mais depois de ficar um tempão esperando no hotel. Os caras simplesmente não apareceram. Odeio gente assim.

No caminho, paramos em um restaurante rústico chamado Los Hornitos de Curacavi, com direito a garçom vestido a caráter, música típica etc. Comi uma empanada de queijo com coca-cola e a namorada, prá variar, não quis comer nada, mas acabou pegando um pedaço da minha comida (ela sempre faz isso, embora o Celso, assim como Joey Tribbiani, doesn’t share food!). O restaurante ainda tem uma lojinha de artesanato dentro e eu quis muito comprar um cantil de madeira com uma capinha de couro para decorar a casa que um dia eu e a namorada pretendemos ter. Só que a minha ministra da economia não permitiu a compra! E então eu fui, triste e sem cantil, para Valparaiso.

Valparaiso, Sergio explicou, por causa de sua zona portuária, já foi uma cidade muito importante para o Chile. Tão importante que quase foi capital do país, o que só não aconteceu por questões geográficas. Mas hoje a cidade já não tem essa importância toda, apesar da atividade portuária ainda intensa. Particularmente, não vi nada de ooooooooooh na cidade. Achei bem feinha. Acabei comprando o primeiro item chileno para a minha coleção de canecas: a caneca de Valparaiso. Mas esse é o único fato relevante que tenho para reportar.

Ah, lembrei! Lá tem a escada do ano! É uma escada com 365 degraus (um para cada dia do ano, ooooooooooooooh) e com quatro descansos, cada um deles representando uma das estações. A escada é imunda e fedida, mas por alguma razão, é um ponto turístico. Tirei uma foto no degrau correspondente ao dia 17 de janeiro, data do meu aniversário, imaginando a quantidade de turistas otários que faz a mesma coisa. A namorada até quis fazer o mesmo, mas como o aniversário dela é em agosto... hehehehehe.


De lá, fomos para Viña Del Mar. Uma parada rápida para tirar retratos junto ao relógio de flores da cidade (sim, igual ao que tem em Petrópolis, não sei quem copiou quem) e fomos almoçar no restaurante do Club Unión Arabe, um local muito chique e agradável, além de caro. O nosso almoço ficou em $ 22.000, algo em torno de 30 latinhas de coca-cola, e a comida não foi nem a metade do que a gente comeu no Mercado Central. Mas é algo que você tem que fazer, pois vale muito a pena visitar o lugar, especialmente por causa do terraço, que tem uma vista muito legal da cidade de Viña Del Mar.

Viña Del Mar é mais bonita do que Valparaiso. Bem mais! É um lugar de praia, mas faz um frio danado nessa época do ano. Então, lá estávamos nós, de calça jeans e casaco na areia. Vocês acreditam que a gente foi até o outro lado do continente e esqueceu-se de tocar na água do Oceano Pacífico? Pois é... gafe... ainda bem que o guia estava distraído, conversando com o motorista. Uma das coisas que a gente achou bem bacana em Viña é que os prédios na beira da praia são construídos de um jeito que todos eles recebam luz direta do Sol. A imagem é como a de uma pirâmide. Os apartamentos não ficam uns em cima dos outros, mas atrás, de modo que nenhum deles faz sombra sobre o inferior. Muito legal!

Na seqüência, fomos para o Museo Fonck, onde fica a imagem do Rapa Nui. É o museu da Ilha de Pascoa. Achei bem mais legal que o museu precolombino e recomendo a visita! Segundo o guia, a tradição da cidade diz que, se você quiser retornar ao Chile, é preciso tocar na imagem do Rapa Nui que fica do lado de fora do museu. Como o sujeito era um gozador, eu e a namorada não botamos muita fé no negócio mas, por via das dúvidas, encostamos na tal imagem (só prá agradar o cara pois, na verdade, a gente não tem lá essa intenção de voltar ao Chile, sabe? Mas vai que a gente resolve voltar sem ter encostado na pedra...).

Uma última parada no Mirante Pablo Neruda para uma panorâmica de Valparaiso e Viña Del Mar e voltamos para o hotel, onde fechamos o passeio para Valle Nevado no dia seguinte.

Quando chegamos ao hotel, vimos que os $ 100.000 levados para Santiago não eram lá muita coisa e resolvemos comprar mais $ 20.000 no shopping perto do hotel. Fiquei impressionado com a facilidade da coisa. Enquanto aqui no Brasil impera a burocratização da coisa, com cópia digital da identidade, preenchimento de formulários e outras medidas peculiares da nossa cultural do papel, lá no Chile você entrega o dinheiro, recebe a moeda que comprou e vai embora. Não querem nem saber o seu nome. Muito bom! Mais um ponto para eles!

Aproveitamos também para comprar protetor solar, conforme havia recomendado o Sergio. Ele explicou para gente que o vento do Valle Nevado é muito frio e, assim como a luz solar, poderia causar algumas queimaduras. Então tá! Continuamos nosso passeio pelo shopping e acabei encontrando uma loja de CD’s muito boa. Para vocês terem uma idéia, encontrei um CD do The Doors lá que eu ganhei do meu amigo Raul há uns 12 anos e nunca mais encontrei por aqui. E assim foi com várias outras bandas, o que mais uma vez me mostrou o quanto a gente é jeca em matéria de música... lamentável!

Prá encerrar o dia, finalmente jantamos no Restaurante Giratorio que, como o próprio nome diz, gira e te dá uma visão de 360° da cidade de Santiago. Só que a coisa não foi tão simples assim... a nossa reserva não constava da lista da hostess, e a gente acabou ficando com uma mesa na ala interior, ou seja, na parte que não fica na janela! Obviamente, fiquei puto! A gente viu o cara do hotel ligando pro restaurante para fazer a nossa reserva! Como é que aquela cachorra disse que não tinha nada? Ódio. Lembrei imediatamente do Seinfeld com aquela história de “take de reservation” e “hold the reservation”. Mas enfim, jantamos, pagamos a conta de $ 20.500, equivalente a mais ou menos 27 latinhas de coca-cola, e voltamos para o hotel, pois era preciso “dormir bem” para a nossa empreitada do dia seguinte.

Acordamos cedo e fomos direto tomar nosso café-da-manhã pois, em poucos minutos, Sergio estaria na portaria do hotel nos esperando. Dessa vez, não pudemos beber leite nem comer nenhum derivado de leite. A razão? Segundo nosso fiel escudeiro, como o Valle Nevado fica a 3.050 metros de altitude, o consumo de leite antes da subida poderia fazer a gente passar mal. No caminho, paramos em uma lojinha para comprar água, chocolate e chiclete, itens indispensáveis para o passeio. De acordo com nosso guia, a água seria para suprir uma deficiência de oxigênio causada pela altitude, o chiclete seria para evitar a dor de ouvido e o chocolate seria para manter a pressão arterial em níveis estáveis. Com medo de morrer, comprei tudo sem perguntar nada.

A chegada ao Valle Nevado é precedida por uma subida estupidamente grande, apelidada pelos chilenos de 40 curvas. Mas ao contrário do que você está pensando, a subida não tem apenas 40 curvas... tem muito mais! Quarenta são as curvas que, de tão acentuadas, fazem você subir o vale numa direção totalmente oposta a que você estava anteriormente. Sério, demora muito prá chegar lá em cima. E olha que não estava nevando! Com neve, o trajeto pode levar horas, já que, com aquilo tudo branco, fica muito perigosa a travessia. Basta você pensar que, sem enxergar nada à sua frente, você pode cair do precipício se resolver se aventurar na descida ou na subida.

Ao chegar lá em cima, além do frio (nem tão grande assim) e de uma vista sensacional, eu e a namorada percebemos que a gente não sentiu efeito algum da altitude. Nada mesmo! Nesse momento fiquei muito feliz por duas razões: primeiro porque eu não ia morrer; segundo porque posso continuar xingando todo mundo da seleção brasileira quando eles pagarem mico contra a Bolívia em La Paz! Quer coisa melhor? Ok, eu também iria querer se fosse você...

Na descida, o estagiário da agência, que nos acompanhava, certamente constrangido por constar que os brasileiros são sinistros, ainda tentou justificar dizendo que a gente não sentiu nada porque dessa vez a pressão atmosférica estava tranqüila etc. e tal. Tá bom, fingi que acreditei...

Ainda lá no alto, fomos até a lojinha do hotel. Sim, existe um hotel no alto do Valle Nevado. Isso porque muita gente vai prá lá esquiar (quando tem neve, seu babaca) e, como vocês podem imaginar, com aquilo ali coberto de neve, e estando todo mundo a mais de 3.000 metros de altitude, ninguém vai querer descer prá dar uma voltinha, né? Então existe um hotel lá em cima, daquele tipo que te oferece todos os serviços, obviamente por um custo considerável. Mas enfim, fomos até a lojinha consumir. Apesar do péssimo atendimento, comprei uma caneca, um chaveiro e um imã de geladeira, pois a camisa que eu gostei só tinha no tamanho Big GG Mamute. A namorada comprou uma camiseta bem bonita e um chaveiro também.

Decidimos almoçar em Santiago mesmo, pois o restaurante do hotel era caríssimo. O restaurante se chama Del Cocinero e fica numa rua chamado Pedro de Valdívia. Perto, muito perto do hotel. O problema é: não existia o número que a gente viu no site do restaurante. A gente rodou, rodou, rodou e nada. Quando finalmente concluímos que o endereço do site estava errado e que era melhor almoçar em outro lugar, começamos a descer a rua até que... ENCONTRAMOS O RESTAURANTE! Cara, a Pedro de Valdívia tem dois lados ímpares! É sério! A gente estava de um lado da rua, mas o restaurante era do outro. Poderíamos ficar uma semana procurando a porra do restaurante e não íamos achar nunca...

Logo que avistei o letreiro, reparei numa palavrinha que sempre me provoca calafrios: “Bistrô”. Bistrô foi o termo encontrado pelos donos de restaurante para te venderem pouca comida por um preço absurdo. Dito e feito: $ 16.000 (21 latinhas) por um prato de nhoque e outro de macarrão com frutos do mar. Muito gostosos, é verdade, mas muito caro. O mínimo que poderia ser é gostoso... o detalhe pitoresco do almoço foi que, tomados por um sentimento digamos assim... europeu, eu e a namorada resolvemos almoçar na calçada. Só que ela continuava com o casaco que tinha levado para o Valle Nevado, enquanto eu havia deixado o meu no quarto do hotel. O resultado foi que eu senti um frio sinistro! Porque eu não pedi prá entrar é que continua sendo um mistério...

Devidamente alimentados, fomos para o Parque Metropolitano de Santiago passear de teleférico, sugestão que dei unicamente para agradar a namorada e da qual me arrependi profundamente. Que medo! Era óbvio que isso iria acontecer. Foram $ 1.500 prá passar perrengue! Só eu mesmo! Eu não tinha noção de que aquela porra subisse tão alto! PQP! Fui pianinho até lá em cima, onde encontramos a imagem de Immaculada Concepcion de Santiago. A vista lá de cima era linda, mas eu estava disposto a não entrar novamente naquele teleférico nem à porrada. Imaginem a felicidade que tomou conta de mim quando descobri o trenzinho funicular! É um trenzinho que leva os passageiros em total segurança até a parte de baixo do parque. Adorei! Desceríamos um pouco longe do hotel, mas poderíamos pegar o metrô! Só que eu queria ir ao Jardim Zoológico...

Problema: nós pegamos o funicular descendo. Para entrar no zoológico, era preciso pegar o funicular subindo. Até aí, nada demais, pois o ingresso que você compra – tanto para o teleférico quanto para o funicular – te dá direito a uma viagem de ida e volta. Mas a gente só tinha $ 4.000 e as nossas entradas no zoológico custariam exatamente... $ 4.000! Resumindo: indo para o zoológico, as únicas opções que a gente teria seriam: ir a pé até o hotel, o que significava andar prá cacete, ou pegar o funicular subindo para descer de teleférico e sair na Pedro de Valdívia, bem mais perto.

Então lá fui eu no teleférico de novo... contudo, antes de entrar, uma pausa para comprar mais uma caneca e uma réplica do Rapa Nui, eleita a lembrança oficial do Chile que Celso e namorada terão na casinha que um dia eles vão comprar.

A descida foi igual à subida: não passava nem vento com manteiga onde vocês estão pensando.

No caminho para o hotel, pausa para comprar mais um pouquinho de pesos chilenos e, então, dar início à tarefa mais trabalhosa do dia: arrumar as malas! Sim, porque com a quantidade de coisas compradas em solo chileno e no free shop, organizar aquilo tudo dentro de nossas malas seria uma verdadeira missão impossível (lembrando que a restrição de líquidos a bordo de aviões impedia que a gente levasse os perfumes dos amigos e familiares aproveitadores, ops, queridos na bagagem de mão). Mas deu tudo certo. Uma das minhas habilidades de que mais me orgulho é a capacidade de organizar espaços. Não há espaço perdido quando eu resolvo arrumar as coisas. Sério! Deu tudo certo!

Jantamos no Pizza Hut (que não vende pizza doce) e voltamos para o hotel, pois no dia seguinte, nosso vôo para Buenos Aires sairia cedo.
(CONTINUA...)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

NFCM na América do Sul - A ida

E aí, putada!!!!???? Tudo bem? Sentiram minha falta, né? Pois eu não senti falta nenhuma de vocês nem do blog. Ao contrário do que vocês podem estar pensando, o problema por aqui não foi falta de assunto, mas falta de saco mesmo para perder meu tempo tentando entretê-los de alguma forma. Até mesmo porque ninguém lê o que eu escrevo aqui...

Pois bem, não farei a resenha do show do Kiss, já que resolvi me dedicar a uma empreitada maior: relatar prá vocês, meus cinco leitores, como foi a minha viagem para Santiago e Buenos Aires. Quanto ao show, digo apenas que foi ótimo, mas poderia ter sido melhor. Não explicarei a declaração.

Mas voltando ao assunto, depois de alguns anos tirando férias para trabalhar ou estudar em casa, resolvi que esse ano minhas férias seriam (serão, pois ainda não acabaram) dedicadas a fazer porra nenhuma e, se possível, viajar. Em função disso, desde dezembro de 2008 eu e a namorada nos dedicamos a planejar a tal viagem: requerer férias para a mesma época, elaborar roteiros (o que acabou acontecendo só mesmo na última semana antes das férias), programar os gastos (algo que obviamente não deu certo), comprar moeda dos países que iríamos visitar etc.

A espera parecia interminável. É impressionante a expectativa que uma viagem internacional gera, ainda mais em um sujeito como eu, novato em termos de “ida ao estrangeiro” ou, como preferem os autores de direito internacional, “países alienígenas”, termo ridículo que eu só posso atribuir a uma vontade incontrolável de ser “diferente” ou, o que é pior, “pseudo-intelectual”, algo que odeio veementemente.

O fim-de-semana que antecedeu a data de embarque foi dedicado aos últimos preparativos burocráticos/financeiros/logísticos próprios desse tipo de evento: ida ao banco, pagamento de contas etc. Outro cuidado importantíssimo foi levar a mala para a casa da namorada, já que: (i) meu carro ficaria em casa durante a viagem; (ii) o domingo seria dedicado a passar com minha mãe, que ficaria sozinha durante 1 semana; e (iii) a ida para o Galeão teria como ponto de partida o QG da Família Nunes Leite, na terra de Noel. Tudo perfeitamente executado: com nosso vôo partindo às 13h30 de segunda-feira, teríamos toda a tranqüilidade do mundo, exceto por um detalhe...

... decididos a adiantar toda a parte burocrática do embarque, eu e a namorada resolvemos fazer o web check in e... DESCOBRIMOS QUE O NOSSO VÔO HAVIA SIDO ANTECIPADO PARA AS 10H30 (!!!!), o que nos obrigaria a chegar no aeroporto às 7h30, o que, por sua vez, me obrigava a sair de casa, em Jacarepaguá, às 6h40, o que, por outro lado, me obrigou a acordar às 6h, o que, evidentemente, me deixou muito puto com as Aerolineas Argentinas, que sequer se deu ao trabalho de comunicar a alteração do horário do vôo.

Tendo acordado às 6h, conforme planejado (?), constatei como é difícil encontrar a porra de um taxi nesse horário. É impressionante que as pessoas andem tanto de taxi e ainda consigam reclamar que não têm dinheiro. Taxi é caro, muito caro... na minha opinião, uma contradição, mas enfim, o mundo está cheio delas, não é mesmo?

Depois de algum tempo, acabei conseguindo um taxi. Só que o motorista era um velhinho muito do lerdo, cara. Muito mesmo. Sabe aquele cara que te obriga a pegar ônibus por tabela? Pois então, o velhinho do taxi foi o tempo inteiro pela direita, atrás de tudo que fosse ônibus que aparecesse no caminho. Enquanto todo mundo passava tranquilamente pela esquerda, lá ia o cara pela direita... minha tensão pré-atraso aumentando e minha timidez/passividade para reclamar do modus operandi do coroa impedindo qualquer manifestação. Tudo isso se somando ao fato de que era uma segunda-feira normal de trabalho para todo mundo que não estava de férias, o que em uma palavra quer dizer TRÂNSITO.

Quando finalmente cheguei à casa da namorada, foi a hora de dar oi/tchau prá todo mundo, pedir um novo taxi que nos levasse ao Galeão, já que a sugestão da namorada de aproveitarmos o mesmo carro que me levou até lá foi prontamente rejeitada por mim, e dar aquela reforçada no café-da-manhã, que a essa hora estava bem próximo de expirar.

A ida para o aeroporto foi tranqüila, mas “tranqüila” aqui é algo para ser entendido “em termos”, pois eu não consigo ficar calmo sabendo que em alguns instantes estarei ingressando em um bólido super pesado, cheio de pessoas igualmente pesadas, e que, apesar disso tudo, conseguirá se desprender do chão e passar aproximadamente 04 horas a uma altitude sinistra prá caralho... resumindo: eu não gosto de aviões, como vocês podem perceber. Nem me venham com esse papo de que é o meio de transporte mais seguro que existe e que as estatísticas blá-blá-blá wiskas sache... não gosto e pronto. É simplesmente uma questão de saber que eu não pertenço ao espaço aéreo. Tanto é que eu nem asas tenho...

Feito esse rápido parêntese, voltemos ao relato. Chegamos rapidamente ao aeroporto e eu, que já havia me preparado psicologicamente para ingressar no avião às 10h30 da manhã, fui surpreendido por mais uma pegadinha da Aerolineas Argentinas: nosso vôo, que estava marcado para as 13h30 e foi antecipado para as 10h30, atrasou e sairia às...

13H30!!!!!! Hahahahaha!

Só que, estranhamente, se antes o nosso vôo sairia às 13h30 e nós, tranquilamente, pegaríamos uma conexão em Buenos Aires para Santiago por volta das 17h, agora, com o MESMO vôo saindo no MESMO horário inicialmente previsto, corríamos o sério risco de perder a conexão (?!) e, por isso, fomos realocados em um vôo da Gol/Varig partindo diretamente para Santiago às 18h!!! Isso tudo com a garantia de que chegaríamos mais ou menos no mesmo horário previsto inicialmente... tá bom, só se fosse de foguete ou por teletransporte, pois, para isso, o vôo Rio de Janeiro/Santiago teria que ser feito em mais ou menos 45 minutos...

Ok, fingi que acreditei.

Rápido detalhe: ninguém contou prá gente, mas o tal vôo – descobrimos depois – faria uma escala em São Paulo. Nessa hora, minha mente doentia e medrosa atentou para um detalhe pitoresco: fazendo uma escala inicialmente não prevista em São Paulo, isso significava que nossa viagem contaria com um pouso e uma decolagem a mais. Logo, se eu já estava me cagando de medo de ter que fazer 04 decolagens e 04 aterrissagens (Rio/Buenos Aires/Santiago e Santiago/Buenos Aires/Rio), imaginem a felicidade que tomou conta de mim com essa novidade...

E lá fomos nós para o hotel do Galeão esperar o horário do nosso famigerado vôo. Tomados pelo tédio, eu e a namorada decidimos passear pelo saguão e demais dependências do lugar, constatando o que qualquer um sabe sem precisar sequer colocar os pés por lá: não existe nada para se fazer em aeroportos. Durante o nosso animado passeio, verifiquei que um número considerável de pessoas circulava de máscara por causa da tal gripe suína. Naquele momento, embora dispuséssemos também do equipamento da moda, decidi que não tomaria qualquer tipo de precaução contra o vírus. Ora, faça-me o favor, vocês realmente acreditam que aquela mascarazinha de feltro é capaz de impedir o contágio por um vírus que se transmite pelo simples toque? É claro que não! Estando convencido de que o artefato não representaria proteção alguma, deixei-o guardadinho na bolsa da namorada, que também optou por não usar a máscara.

Quando finalmente embarcamos, por volta das 17h, era hora da orgia consumista do free shop! Perfumes e mais perfumes comprados para familiares e amigos aproveitadores, ops, queridos. Cientes de que ainda passaríamos pelos free shops do Chile e da Argentina, eu e a namorada decidimos que os nossos seriam comprados depois que pesquisássemos os preços, já que o Chile, tendo sido o primeiro país da América do Sul a quebrar barreiras alfandegárias, prometia ser um paraíso tórrido para o nosso rico dinheirinho. Ledo engano! Conforme comprovaríamos mais tarde, o free shop de lá é caríssimo! Não vale nem um pouco a pena comprar nada por lá. Os preços eram, em média, US$ 3.00 mais caros do que no Brasil mas, em alguns casos, a diferença chegava a assombrosos US$ 10.00! Um absurdo! Na Argentina, os preços eram idênticos aos do Brasil.

Mas então entramos no avião, momento em que a minha tensão atinge o nível máximo e eu fico simplesmente beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem quietinho... sério, sou um cagão relax. Morro de medo, mas não dou vexame. Nada de sair por aí gritando escandalosamente que nem a Maísa quando vê um molequinho pintado...

Essa tensão, que já era grande o suficiente, foi aumentada pelo filho da puta do piloto da Gol/Varig, que fez o favor de falar com a gente exatamente assim: “Boa noite, senhores passageiros. Meu nome é piloto filho da puta da Gol/Varig. Nosso vôo até São Paulo terá a duração de aproximadamente 50 minutos. Gostaria de dizer que as condições de vôo eram as ideais, mas em função de uma chuva em São Paulo, não são”.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cara, isso não se faz... isso é feio... nessas horas você mente e diz que está fazendo sol, mesmo que esteja tudo escuro lá fora... olhei para a namorada e ela, penalizada e sabendo do que se tratava, pegou na minha mão e disse que ia dar tudo certo. Ooooooooooooh, ti bunitim... mas mesmo assim eu não relaxei.

Chegamos a São Paulo e, depois de uma rápida parada para embarque de novos passageiros, fomos em direção a Buenos Aires. PODEM INCLUIR AQUI TODA AQUELA PARTE SOBRE A TENSÃO ATINGINDO O NÍVEL MÁXIMO, POIS CADA DECOLAGEM E ATERRISSAGEM TÊM O MESMO EFEITO SOBRE ESTE QUE VOS ESCREVE.

Depois de mais ou menos 2h20 de vôo, chegamos aos céus de Buenos Aires. Sim, aos céus, porque ao chão de Buenos Aires a gente só conseguiu chegar depois de 25 minutos sobrevoando aquela porra de aeroporto de merda enquanto aguardávamos autorização para pousar. Nessa hora eu só conseguia pensar que argentinos são uns cornos, que Eva Perón era uma tremenda de uma piranha, que Diego Maradona tinha que dar uma cheirada tão forte, mas tão forte, que a quantidade de pó inalada o fizesse explodir que nem milho de pipoca, que Carlos Gardel era um pederasta enrustido, que... enfim...

Enfim, descemos no tal aeroporto e, depois de um tempo, partimos para mais uma decolagem, dessa vez com destino a Santiago, num vôo que durou 1h45 e foi cheio de turbulência por causa daquela maldita Cordilheira dos Andes. PQP! PQP! PQP! Três vezes, cara. PQP! Quatro! Fala sério, nunca mais quero passar sobre a Cordilheira dos Andes. Eu só lembrava daquele filme: “Sobreviventes dos Andes”. Traumático. Enquanto isso, a namorada tranquilona do meu lado... ô raiva!

Após toda essa odisséia, chegamos a Santiago às 2h15 da manhã mas, com o fuso de 1 hora, nosso relógio foi atrasado para 1h15. “Mais ou menos no horário inicialmente previsto”, pensava eu, enquanto xingava todos os antepassados da filha da puta da funcionária da Aerolineas Argentinas que disse isso...

Como conseqüência de ter chegado “mais ou menos no horário inicialmente previsto”, perdemos a reserva que havíamos feito para 21h no Restaurante Giratório e fomos dormir sem jantar, tendo nos alimentado basicamente de Kit Kats e dos sandubas que nos serviram no avião.

No caminho para o hotel, fechamos com o cara do transfer o passeio para Valparaíso e Viña Del Mar em 06.05 e decidimos que o dia 05.05 seria dedicado à cidade de Santiago.

Exaustos, fomos dormir.
(CONTINUA...)

domingo, 15 de março de 2009

NFCM encontra a Donzela

Depois que Bruce Dickinson saiu do Iron Maiden, em meados de não lembro quando, dando a vaga de vocalista da banda para o Blaze Bailey, uma coisa ficou muito clara: o Iron não era, por assim dizer, a banda do Steve Harris; era, também, a banda do Bruce que, tendo substituído o Paul Di’anno no início da década de 1980, foi um dos responsáveis pela saída do grupo da cena underground, transformando-o em mainstream. Mais do que isso, a identificação do sujeito com a banda foi tão grande que hoje não dá mais para pensar em Iron Maiden com outro cara cantando.

Mas uma coisa, infelizmente, é verdade: desde a volta do Bruce o Iron não conseguiu gravar um disco à altura do que eles fizeram antes da saída dele. Bem, prá ser sincero, antes de ele sair, a banda já não vinha lá muito bem das pernas (o último discaço dos caras foi Seventh Son of a Seventh Son). A sua saída evidenciou isso, mas a sua volta não foi capaz de recolocar as coisas nos eixos. Não que os discos da segunda era Bruce sejam ruins, só não são tão bons assim. Lixo mesmo foram os dois gravados com o tal do Blaze.

Atento aos acontecimentos, tio Steve Harris teve uma idéia: “que tal esquecermos tudo o que a gente gravou depois do Fear of the Dark e fazer uma turnê baseada apenas nos álbuns anteriores?”. E foi assim que nasceu o show “Somewhere back in time”, que já havia passado pelo Brasil ano passado, mas deu as caras novamente por aqui agora, em 2009, aportando no Rio de Janeiro ontem, 14.03.2009.



O show, assim como o do Elton John – e assim como será o do Kiss –, foi na Praça da Apoteose, o que me poupa de escrever sobre o local, já que mantenho todas as críticas formuladas. Mas também não vejo, no caso do Iron, um lugar melhor para fazer o show, já que as 22.000 pessoas que compareceram ao espetáculo não caberiam, p. ex., no HSBC Arena, que não comporta essa galera, nem no Maracanã, grande demais para isso. Logo...

Mas então vamos lá. Como dito no post do Elton John, o esquema do Metrô é o melhor para shows na Apoteose e, por isso, optamos por ele – eu e um amigo que me acompanhou, na verdade me convenceu a ir, pois eu estava decidido a poupar a grana. Conversando distraidamente sobre nossas expectativas para o show, acabamos perdendo a estação Praça Onze e tivemos que descer na Central para voltar, o que acabou sendo bom porque foi o tempo de acharmos um lugar para que o show começasse.

Assim como a World Slavery Tour, do histórico Powerslave, que serviu de base não só para o repertório do espetáculo, mas também para a parte visual da coisa, que reproduziu o palco da época, o show inicia com a introdução Churchill’s Speech, seguida por Aces High. Era de se esperar que eles emendassem com 2 Minutes to Midnight, que é a seqüência do álbum, mas eles foram de Wratchild, incluída no set list para agradar o público carioca. Fiquei feliz, pois jurava que ela não seria tocada. Boa escolha. Aí, sim, 2 Minutes to Midnight.

Logo depois veio Children of the Damned, do The Number of the Beast, primeiro álbum do Bruce com a banda. Nessa hora você percebe o quanto iniciativas desse tipo podem ser legais. Nunca que essa música seria tocada num show usual da banda. Nunca. Mas lá estava ela! Mantendo o espírito da coisa, Phantom of the Opera, do primeiro disco dos caras, Iron Maiden. Cara, eu queria muito ouvir essa música, muito MESMO! E, mais uma vez, é claro que ela não seria executada em um show normal.

A apresentação continua com The Trooper, figurinha fácil no set list da banda e, logo depois, com Wasted Years, do fraquinho Somewhere in Time. Pessoalmente, gostaria mais de ter ouvido Heaven can Wait mas, de fato, considero que qualquer música desse álbum seria dispensável, ainda mais diante do pecado imperdoável que foi a retirada de Revelations, do Piece of Mind, do roteiro. Sinceramente, não dá prá entender que isso tenha acontecido...

O ponto alto da apresentação, se é que é possível definir um, talvez tenha sido a épica Rime of the Ancient Mariner, com destaque para a harmonização entre os três guitarristas – Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers – e o baixo sempre marcante (e bem destacado) de Steve Harris (prerrogativa de quem é o dono da bola). E aí eles mandaram outra muito foda: Powerslave! S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!!!!

A partir daí a noite se tornou mais um show normal do Iron Maiden: Fear of the Dark, Hallowed be thy Name e Iron Maiden, com direito ao Eddie do Piece of Mind rompendo a enorme esfinge que tomou conta da parte superior do palco. Ah, sim, depois o palco recebeu a visita do verdadeiro Eddie. Dessa vez ele veio em sua versão Somewhere in Time (não é a minha preferida, mas pelo menos guarda relação com o nome da tour).

No bis, The Number of the Beast, a dispensável e superestimada The Evil that Men do (lembrando que Revelations ficou de fora!) e Sanctuary, com sua tradicional pausa para os “avisos paroquiais da donzela”.

Gente, eu jurava que eles tocariam Running Free na seqüência, mas não tocaram. O show acabou. Tudo bem. Foi ótimo assim mesmo! Mas ainda não entendi o fato de não terem tocado Revelations...

sábado, 14 de março de 2009

NFCM encontra BSB

A cena é bastante clichê e você já deve ter visto em algum dos vários filmes de guerra que Hollywood costuma produzir: durante a batalha explode uma bomba perto de um soldado. O estrondo é tão grande que a audição do pobre coitado fica prejudicada por um período – ou para sempre, dependendo do filme. Para demonstrar o que se passa com o sujeito nesses segundos que se seguem ao evento, o diretor normalmente decide enfiar uma cena em câmera lenta e sem som – ou com alguns sons distorcidos, dependendo do filme.

Foi o que aconteceu comigo.

Sentado no chão do Citibank Hall, sou surpreendido pelo apagar das luzes e pela histeria coletiva que contamina uma mulherada na faixa de 25 anos de idade. Os Backstreet Boys (?) entram em palco.

Vestindo roupões de boxe, os quatro integrantes do grupo entram em cena num ringue montado no meio do palco enquanto é feita a apresentação dos “combatentes”. Encerrada a introdução/apresentação, eles atacam com um dos muitos hits emplacados na MTV em sua época dourada... em PLAYBACK!

Imediatamente penso: Putz, Madonna fez escola.

O show tem tudo o que se espera de uma boy(?)band: coreografias ensaiadas à exaustão; músicas chiclete que, mesmo odiando, você conhece e, se bobear, consegue até cantarolar; meninas gritando/chorando desesperadamente; promessa de um novo disco e de um novo show (Deus, não!); os dois tipos de homem típicos desse tipo de evento: os que não puderam escolher o sexo na hora de nascer e os que estavam lá acompanhando as respectivas namoradas (meu caso); e, claro, a esperança de acordar suado durante a madrugada e perceber que aquilo tudo é só um sonho.

Nunca soube, sinceramente, o que leva dois quase-carecas e um cara de 35 anos a, junto com o loirinho (não me perguntem os nomes), insistirem em tocar adiante uma fórmula mercadológica que só costuma dar certo com sujeitos recém-saídos da adolescência, mas tive um indício de resposta nesse dia: por incrível que pareça, a mulherada cresceu, mas continuou gostando dos caras. A não ser que você esteja no meio de uma Festa-Ploc, não é essa a tendência natural das coisas...

Então, meu caro, se a fórmula ainda dá certo, porque arriscar algo fora dela? Pois bem, os números solos dos rapazes – cada um interpretou uma música de sua carreira solo – mostraram que realmente não era uma boa idéia, especialmente a apresentação do mais velho, um tanto quanto...

... CONSTRANGEDORA! Nem minha namorada gostou.

Então, resumindo prá vocês: quatro caras bonitinhos enfrentando uma certa “crise de meia-idade musical”, mas ainda com um séquito de adolescentes e ex-adolescentes fiéis, cantando em playback nos números de dança (já que o fôlego já não é mais o mesmo) ou cantando de verdade em outros momentos, desfilaram por aproximadamente 1h40 um monte de músicas tocadas insistentemente no rádio e na MTV numa época em que só se falava deles.

O show termina e voltamos, eu, minha namorada e uma amiga, para casa. No carro, a conversa inevitável: o quê você achou do show? Qual foi o melhor momento? Qual é o seu preferido?

Sim! Existe isso também. Cada fã tem o seu preferido. E a fórmula, mais uma vez, é sempre a mesma: tem um com carinha de baby, tem um com carinha de malvadinho, tem aquele que é o sujeito, digamos, mais homem feito e por aí vai.

Até eu tenho o meu preferido nesse caso. É o Kevin, o cara que saiu. Mostrou que tem bom senso!

Mas olha, valeu a pena. Minha namorada ficou tão feliz... depois de tantos sacrifícios feitos por mim, ela merecia...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

James Blunt/Elton John. É isso aí e pronto!


Seguinte: fiel ao princípio de que quem manda nessa porra sou eu, desisti de escrever uma resenha bacana sobre o show do James Blunt/Elton John aqui no Brasil. Não, não. Os shows não foram ruins. Eu simplesmente não estou com paciência para escrever sobre o tema. E paremos por aqui, pois não lhes devo satisfações.

Logo, partamos para algumas conclusões tópicas:

01. O show do James Blunt foi bem legal. Além de ter sido bastante corajoso por ter aberto a apresentação com uma música nova, o sujeito provou ser um cara bastante espirituoso, interagindo muito bem com a galera. O repertório foi bacana e o show foi enxuto. Tudo bem legal. Só o lugar que parecia ser grande demais para ele. Quem já viu uma apresentação dele deve ter percebido que é um show que funciona melhor em lugares menores. Pois é. Mas nada que comprometesse a qualidade do que foi apresentado.

02. A Apoteose é muito desconfortável. Não importa onde você esteja. O incômodo é sempre muito grande.

03. Elton John foi pontual. Ah, os britânicos...

04. O show foi um tanto irregular, mas o saldo é positivo. Segue o set list com os meus comentários:

Momento meio “será que valeu a pena ter saído de casa?”

Funeral for a friend / Love lies bleeding
The bitch is back
Madman across the water

Coooooooooooooooooooooool…

Tiny dancer

“Hum, ok, vamos em frente…”

Levon
Believe
Take me to the pilot

“Porra, finalmente o show que eu vim ver!!!”

Goodbye yellow brick road
Daniel
Rocket man
Honky cat
Sacrifice
Don’t let the sun go down on me
I guess that's why they call it the blues
Sorry seems to be the hardest word

“Dispensável…”

Candle in the wind
Bennie and the jets

Coooooooooooooooooooooool…

Sad songs (say so much)
Philadelphia freedom

“Aeeeeeeeeeee, o show voltou!!!”

I'm still standing
Crocodile rock
Saturday night is alright for fighting

BIS

Skyline pigeon

“Show de bola, mas sei lá, podia ter sido mais legal...”

Your song

05. Gostei do esquema de metrô. Nunca mais irei/voltarei de taxi para shows na Apoteose. Queria dizer que nunca mais irei a shows na Apoteose, mas o Kiss vem aí...

É isso!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Visual 10. Música 4. Média 7. Passou.

E lá estava eu na rampa do metrô esperando para ingressar no Maracanã.

Era o dia 14.12.2008 e, dali a algumas horas, começaria o show da minha cantora (?) preferida. O céu anunciava que a qualquer momento mandaria muita água prá baixo e, então, prevendo a iminente necessidade de me proteger daquela grave ameaça (praticamente uma conduta típica), descolei extorsivos R$ 5,00 e comprei aquele pedaço de saco plástico que os ambulantes insistiam em chamar de capa de chuva.

Enquanto isso, cambistas otários tentavam desesperadamente vender seus ingressos que, se no início das vendas eram praticamente um diamante de 350.000 quilates ou uma caneta que escreva na hora em que você precisa anotar um telefone, no dia do show pareciam mais aquele presente de amigo oculto que você ganha, detesta, tenta repassar mas ninguém quer. Legal! Cambista tem mais é que se f* mesmo!

Após uma rápida consulta ao fluxo de pessoas de todos os sexos que circulavam pelo local – homens, mulheres, indecisos e os muito decididos de que não eram uma coisa nem outra –, descobri que estava do lado exatamente oposto ao que deveria estar e pus-me a caminhar com meus amigos para a rampa de acesso às arquibancadas. Apesar de esperar o caos na Terra, até que a entrada foi tranqüila e, sem maiores contratempos, acabamos conseguindo um lugar coberto, de modo que pudemos curtir o show bem sequinhos.

Você pode até achar estranho que um sujeito como eu goste de Madonna, mas não é bem assim. Se você tem bem claro na cabeça que ela não é uma artista que vá fazer uma obra-prima para entrar para a história da música, pode relaxar e se divertir um bocado, pois a mulher é o que há em termos de entretenimento de massa. Ou você acha que ela está na praça há 25 anos à toa? Acho que isso é o que mais me impressiona nessa mulher: a capacidade que ela teve de resistir ao tempo mesmo sendo um fenômeno pop, algo que tem na efemeridade a sua principal característica. Não, não! Não estou falando daquela babaquice de “Madonna é uma camaleoa”. Não é nada disso! Mas ela tem o mérito de estar sempre antenada com que se espera da música pop e, por isso, nunca soa fora de moda. Parece bobagem, mas tem muita gente boa por aí que não conseguiu fazer isso. Alguém aí falou em Michael Jackson? Hã...

E é com essa capacidade de renovação que D. Ciccone vem reinando absoluta no mundo pop desde 1983. Hoje, passados mais de 25 anos desde o lançamento de seu primeiro single, a Madonna não só permanece atual como é constantemente copiada por cantoras mais jovens, cuja tendência natural, se não estivéssemos falando dela, seria conduzi-la ao esquecimento.

Isso não significa, no entanto, que Madonna esteja acima de qualquer suspeita, ainda mais quando a coisa ingressa no delicado terreno da qualidade musical. Embora seja fã incondicional da diva, sou forçado a reconhecer que, desde Like a Prayer, de 1989, ela só lançou três álbuns realmente bons de verdade: I’m Breathless, Ray of Light e Confessions on a Dancefloor. Ao longo desses 20 anos, tudo o que ela lançou foi muito irregular, beirando a ruindade evidente em alguns casos, como aconteceu com o Bedtime Stories e o American Life, por exemplo.

Mas diva é diva mesmo nos momentos menos iluminados. E por isso ela se manteve intacta. E por isso o Maracanã, como todos os lugares do mundo por onde ela passou, estava lotado para vê-la, num espetáculo que, embora tenha sido visualmente perfeito, deixou muito a desejar no quesito musical, que era o que realmente importava.

Antes mesmo de o show começar, o céu desaba e a chuva castiga a galera da pista, das cadeiras e de boa parte da arquibancada. E eu sequinho no meu canto! Enquanto uns pobres coitados se lançam à infeliz tarefa de secar (?) o palco, o show começa com Candy Shop, música do álbum mais recente, Hard Candy, cuja capinha é essa aí embaixo.

Sentada de pernas abertas em um trono, Madonna mostra aquilo que ao longo da história da humanidade vem sendo a essência da monarquia: um reinado é exercido com mão-de-ferro, ainda que se conteste algumas medidas adotadas pelo monarca. É o que acontece com o álbum novo, que é bem fraquinho na minha modesta opinião. Na seqüência, Beat Goes On, também extraída de Hard Candy e Human Nature, seguida do clássico Vogue. Clássico?

Só se for por causa do nome, porque a música foi tão mexida, mas tão mexida, que demorou um pouquinho prá gente perceber que se tratava dela. Sabe quando você não liga o nome à pessoa? Pois é, tem vezes que você não liga a letra à música...

E isso acabou se revelando uma constante no show: muitas músicas novas, poucas – e muito alteradas – músicas antigas, contrariando por completo aquela máxima futebolística segundo a qual “clássico é clássico e vice-versa”. Into the Groove, por exemplo, foi uma música em que a necessidade de um clima dance music dos anos 2000 acabou por...

... tirar por completo qualquer vontade de dançar! Estranho, não? Antes que vocês se apressem a dizer, não estou querendo dizer que releituras devam ser proibidas. Claro que não! Mas é que, em alguns casos, releituras deviam ser proibidas! É o caso de Borderline que, tocada na seqüência, ganhou um estilão meio trash metal de boutique, descaracterizando por completo uma pérola da música pop.

E por aí vai o show. Alternando um número excessivo de músicas novas, canções menores de álbuns mais recentes e releituras dos poucos clássicos selecionados para o set list, a apresentação se desenvolve como um espetáculo muito mais visual do que musical (talvez por isso Madonna tenha abusado tanto do playback). Isso é ruim? Não. E sim!

Não é ruim a partir do momento em que você lembra que aquilo ali se trata de um espetáculo de música pop e, por isso, merece algumas concessões em termos de rigor musical. Se você tem isso em mente desde o início, sabe que está lá para se divertir e que o “produto” (pode ser sem aspas se preferirem) que lhe é entregue é assim mesmo: para ser usado naquele exato momento, pois o consumo é imediato.

Mas é ruim a partir do momento em que você pensa que, apesar de tudo isso ser verdade, a música, que é o que te tirou de casa naquele domingo chuvoso, fica, em alguns momentos, relegada a um distante segundo plano, a fim de dar prioridade a recursos técnicos de última geração e a passos de dança rigorosamente ensaiados. Perde-se a espontaneidade e, com isso, a essência daquilo que deveria ser a atração principal do dia. Por sorte, esse sentimento é resgatado com uma seqüência matadora, composta por 4 Minutes, Like a Prayer (o único momento realmente brilhante do espetáculo), Ray of Light, Hung Up e Give it to Me (no encerramento).

Depois disso tudo, um imenso telão no centro do palco dá o recado: Game Over.


Volto para a casa ciente de que vi um show morno e que poderia ter sido muito melhor, mas como disse acima, diva é diva e, apesar disso, tenho plena convicção de que valeu cada centavo!

Estranho? Sim. E não!